Prepárense bailadores
que esta fiesta ya se formó 1

Conta o mito que nas festas do Orun (Céu), era Exú que tocava o atabaque. Quando o criou, Olorun legou a Exú o poder do som, elemento de ligação entre tudo que existe e principal veículo de alegria. Exú então tocava e tocava seu atabaque nas cerimônias, animava os outros Orixás com seus timbres, sopros e tons.
 

Certo dia, os Orixás confundiram seus sons com barulhos e pediram a Exú que parasse de tocar, pois suas cantigas estavam altas demais.


Mas os Orixás esqueceram que aquilo que dava vida ao culto era o atabaque e a humanidade começou a esquecer de suas oferendas, de suas danças e de seu axé, pois era o som da mão no couro que nos lembrava disso.


Para a vida voltar, Exú passou aos Ogãs a função de tocar os atabaques e o conhecimento de enlaçar, na melodia, o terreno e o sagrado 2 .


É pensando nas conexões pretas feitas no toque do atabaque que o Lab Negras Narrativas 2024 abre seu Ilê, nossa casa e nossa roça, onde tudo é som.

Em sua 6ª edição, o LNN será composto por três etapas inspiradas nos três tambores que puxam o Xirê: Rum, Rumpi e Le.

Rum

O Rum, maior e mais grave dos atabaques, é o líder dos tambores e é tocado pelo Alabê. Ele possui a maior complexidade rítmica e é responsável por conduzir os ritmos e chamar os orixás.

O Rum demarca nossa primeira etapa, que acontece no formato virtual, e onde firmaremos os nossos passos em encontros que cruzam o Pensamento Negro nas Artes com a feitura e artesania dos filmes, delineando o conceito e abordagem de cada proposta.

Rumpi

O Rumpi, símbolo da nossa segunda etapa, tem um tamanho intermediário e uma afinação média. O Rumpi complementa o Rum, fazendo a marcação dos ritmos principais. Ele tem um papel de sustentação e diálogo com o Rum, ajudando a criar a estrutura musical necessária para os rituais.

Esta etapa de imersão será realizada em formato híbrido com sessões virtuais e uma vivência presencial com nossa equipe de consultores. Nela iremos olhar com atenção às especificidades dos projetos e referenciais de cada equipe, com olhar voltado para o desenvolvimento dos roteiros.

Le

E por fim, na última etapa temos o Le, menor e mais agudo dos atabaques, essencial para manter a cadência do som tocado durante a cerimônia.

É a etapa que abre espaço para o refinamento e expansão das trajetórias e parceirias – roteiro, direção e produção -, culminando na solidificação do papel do LNN na internacionalização das carreiras negras em uma vivência presencial com audiovisuais negros na América Latina.


Mas nós sabemos que no Ilê o tambor também come. E para fomentar um lugar em que os projetos se desenvolvam de forma nutritiva e fértil, o LNN ainda oferece bolsas de apoio financeiro para dedicação das pessoas realizadoras, aulas de línguas, assim como cuidados com o orí (acolhimento psicológico), de outras terapias integrativas e práticas artísticas/educativas durante a trajetória. Al ritmo de este sonido que gostaríamos de convidar criatives, diretores, roteiristas e produtores negres para enviar seus projetos de ficção em desenvolvimento, nos formatos de curta ou longa-metragem, em distintas etapas de trajetória. Em busca das sonoridades comuns na América Latina Negra, y de la escucha profunda de nuestros sueños narrativos, o LNN e a APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro) convidam à todes para embalar seus projetos criativos no toque de sua música. 


Música preta e encantada, como somos nosotras!
Equipe Lab Negras Narrativas 2024

Sobre o Lab

Sobre o Lab Negras Narrativas

Elaborado desde o primeiro Seminário do Audiovisual Negro em 2016, o LNN tornou-se parte integrante do Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil – FIANB em 2020. Hoje, com calendário próprio, o LNN visa criar redes, fortalecer parcerias e impulsionar profissionais do audiovisual negro brasileiro, prezando pela diversidade de gênero e de território.

Serviço:

Lab Negras Narrativas Nacional 2024 

Inscrições gratuitas
De 03 a 19 de julho
Realização: Apan
Patrocínio:  Amazon MGM Studios e Prime Video

Inscrições Regulamento Cartilha de Sensibilização


Equipe

Melina Bomfim

Coordenação Geral

Melina Bomfim é mãe, pesquisadora, curadora, realizadora audiovisual (direção e assistência de direção). Fez especialização em Documentário Criativo no Observatorio del Cine (BsAs – ARG), é mestranda no PPGCOM – Mídias e Formatos Narrativos da UFRB. Idealizadora e cofundadora do Festival Internacional Kilombinho – audiovisual negro com crianças, crias e comunidades. Fez curadoria e|ou colaborou em espaços como BrLAb, NordesteLab, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Festival Taguatinga de Cinema, Mostra Adélia Sampaio, Goiânia Mostra Curtas, Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, entre outros. Como assistente de direção trabalhou em produções entre curtas, longas e séries como: “Afrolatinas: 30 anos em movimentos,” roteiro e direção de Viviane Ferreira, “Nunca mais serei a mesma” de Alice Lanari,  “Rumo” de Bruno Victor e Marcus Azevedo, entre outros. Desde 2020, faz parte da coordenação do Lab Negras Narrativas (APAN,) desde 2023, da Escola bi-nacional FOCO uma parceria entre Manos Visibles (Colômbia) e APAN (Brasil).

Talita Arruda

Coordenação de Formação

Distribuidora, pesquisadora e curadora. Mestranda na UFRB, pesquisa a distribuição de cinemas negros contemporâneos, através das tecnologias artísticas, afetivas e mercadológicas da circulação audiovisual. Fundou a Fistaile, empresa que promove o encontro das audiências com os projetos audiovisuais. É tutora e colaboradora em espaços como Lab Negras Narrativas, Sessão Vitrine, Locarno Open Doors e Industry Academy, BrLab, El Público del Futuro e EFM Toolbox Programmes. É associada à APAN – Associação dos Profissionais do Audiovisual Negros e à ANDAI – Associação Nacional Distribuidores Audiovisual Independente. 

Maíra Oliveira

Coordenadora Pedagógica

Maíra Oliveira é roteirista e diretora, formada em Educação (UERJ) e mestranda em Artes da Cena (ESCH). É professora de roteiro e consultora de projetos audiovisuais. Dirigiu o filme “Encruza” e roteirizou os filmes “Um Ano Inesquecível: Primavera”, “Um Ano Inesquecível: Verão” , “Papai é pop” , “Ricos de Amor 2”, o programa infantil “Quintal TV” e a série “Mila no Multiverso”. Criou o argumento da série “A Magia de Aruna”, assinando também como roteirista-chefe. Atuou no desenvolvimento de projetos para Globo, Disney+, Canal Brasil, Netflix, Paramount e HBO em parceria com as principais produtoras do país. Foi Presidente da Associação Brasileira de Autores Roteiristas (ABRA) de 2021/2022 e atualmente é Conselheira do Sudeste da APAN.

Maurício Moraes

Produção Executiva

Graduado em cinema e audiovisual pela Universidade Federal do Pará, comecei a trabalhar em projetos profissionais em 2018 em diversas produções de séries de tv, longas e curtas metragens, prioritariamente, na função de continuísta e assistente de direção. Em 2020, realizei o meu primeiro curta metragem como diretor, o curta Minguante, selecionado em diversos festivais como O 13° Encontro de Cinema Zózimo Bulbul, no rio de janeiro e o Festival Zélia Amador de Deus, em Belém do Pará. Fez a produção executiva do longa metragem Os Fãs Mais Rebeldes que a Banda, ganhador de melhor filme na edição de 2023 do festival Maranhão na Tela.Além disso, desde 2021, trabalho como produção, na Associação de Profissionais do Audiovisual Negro – APAN, realizando diversas ações na formação audiovisual, como o LAB Negras Narrativas Amazônicas e a primeira escola Binacional, parceria entre Brasil e Colômbia – A Escola FOCO, ambas em 2023. Em 2024, assumo o cargo de Produção Executiva na associação.

Udinaldo Júnior

Coordenação de conteúdo e pesquisa

Jornalista (UFRB), mestre em Ciências Sociais (UFRB) doutorando em Estudos Étnicos e Africanos (UFBA). Relator Nacional de Direitos Humanos (DHESCA) no eixo de Raça, Letalidade Policial e Sistema Carcerário. Coordenador de conteúdo e pesquisa no Lab Negras Narrativas (APAN) e Coordenador de Comunicação no festival Música à Beira do Mundo (Studio Mão no Fogo). Pesquisador de espectros e fantasmas no Coletivo Angela Davis (UFRB).

  1.  “Preparem os dançarines, que esta festa já se formou.” Trecho da canção El currulao me llama, da banda afro colombiana Bahía. 
    ↩︎
  2.  Narrativa inspirada em relato oral do babalorixá Rychelmy Esútobi, no documentário Orin – Música para os Orixás. 

    ↩︎